
Arte&Fato: HELIO EUDORO FAZ SIMULACRO DA MORTE
HotSite do Projeto : I See Dead People
Seguem abaixo excertos do texto do jornalista Alexandre Aranha e algumas obras da exposição I See Dead People, assim como os textos do próprio criador, o Porto-Alegrense Sam Paio.>
A exposição permanece aberta à visitação até 05 de agosto de segunda a sexta, das 14 às 18h, e sábados das 10 às 13h, na rua São Manoel 285, fone 33339044.
Morre-se todos os dias por aqui. Morre-se de fome e de sede, de amor, de desamor, de ciúmes, de dor, de tristeza também se morre.
Morre-se aqui e em todo lugar, de uma morte lenta, diária, sem agravos ou prescrições...O acaso é a força motriz da roda do mundo, definindo aleatoriamente nossa existência, num imprevisível caos. A luta cotidiana para encontrar nosso destino é desgastante e incerta para, ao final, chegarmos à conclusão da aniquilação absoluta. Vivemos como se não fôssemos morrer, num eterno presente, numa imortalidade aparente. A inevitabilidade da morte é tão certa quanto o esforço diário para esquecê-la.
Morremos todos os dias, aos poucos. Definhamos sem perceber. Nos acostumamos a calar, a consentir, a aceitar. A maior parte da nossa vida passamos repetindo, sendo automáticos, pondo fim à nossa existência.Morremos de solidão, morremos pela dificuldade em conjugar a nossa auto-identidade.
Morremos no Outro; morremos porque temos oportunidade, e os outros não; ou porque não temos oportunidades, e os outros têm. Morremos como humanos, diante da aniquilação bestial, coletiva; diante do massacre diário. E nessas barreiras objetivas, onde se criam e se perdem mundos distintos, morremos, mais uma vez, pela falta de referência, pela inexistência do Outro, que condenamos ao esquecimento, à inexistência, matando todos os dias com nossa indiferença.Morremos, por fim, na prisão da identidade, morremos dentro de nós mesmos".

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