
ANSIEDADE...
"E a gente fica boba, né? Besta, besta, com o olhar cada vez mais longe e mais bonito e a cara cada vez mais idiota e conta os dias e as horas mesmo sabendo que isso só espicha o tempo, que isso só atrasa relógios, que isso só faz umas borbulhas de ansiedade aqui na barriga e então a gente esfrega as mãos que ficam geladas e com suor frio, e perde a fome e depois quer comer um boi, e depois quer chocolate quente e se emociona com coisas simples, vê beleza nos detalhes, vê um encanto nas coisas de viver, nas formigas e besouros do dia, como o sorriso que você vê no espelho, como a pronúncia diferente de uma palavra em mimetismo de amor, na memória do riso, e nos seus olhos vem uma agüinha quase doce, uns brilhos de amanhecer azulado e você quase pode tocar a delicadeza do dia, você quase inventa uma cor nova para o céu, você quase sente o abrir de todas as flores nas pálpebras, você quase fala todas as línguas e você pega isso tudo, tudo, tudo com as mãos em concha, como quem aninha um filhote de pássaro e coloca entre os seios, no meio do peito, e fica sentindo as asas mexerem um pouquinho, o calor novo, aquele brotar de vida, aquela felicidade que veio morar finalmente em você."

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